terça-feira, 23 de junho de 2009

Estrela da Manhã

– Eduardo! Acorda! Fiz xixi na cama. Tá tudo molhado.

Ainda sonolento achei graça da Claudia. Nunca acordo de mau humor. Mas ao se levantar, percebemos que o xixi não parava de escorrer. Foi então que caiu a ficha. Não era xixi e sim minha filha querendo nascer. Já estava amanhecendo e ela não podia perder sequer mais um dia presa àquela rotina, totalmente sem opção, que vinha levando nos últimos nove meses. A bolsa havia estourado e finalmente a boa hora chegado. Atrapalhações e nervosismos compreensíveis pela inexperiência se seguiram até que, com a sacola da mamãe, a do neném e mais a carteirinha do plano de saúde em mãos, partimos para um dos dias mais felizes de nossa história.

Morávamos, graças à generosidade e ao desejo de união familiar do meu sogro, em um cenário espetacular. Como pano de fundo um espelhado lago por onde o olhar flutuava até chegar às colinas que definiam o horizonte. Mudavam de cor segundo a vontade da hora e do dia. Naquele momento se vestiam de tons arroxeados tecidos pela luz tímida do quase amanhecer que logo iria acontecer, assim como a chegada da Débora, que a princípio se chamaria Bárbara, o que também nunca deixou de ser. O céu, que no alto ainda ostentava o seu vestido de noite já mostrava, por debaixo de sua barra, os rosas e laranjas das roupas que escolhera para aquele dia. E bem no meio daquele encontro colorido brilhava ela, a Estrela da Manhã, que uns chamam de Vésper, outros de Estrela D’alva, mas que na verdade não é estrela e sim Venus, deusa do amor e da beleza que veio anunciar, da mesma forma que um astro irmão um dia marcou a chegada de outro ser iluminado, o nascimento da minha filha, minha vida, meu orgulho e meu amor sem fim.

E então nasceu o sol.

Eduardo Bittencourt

Um comentário:

  1. Papaaai,
    Você disse que ia fazer e feeez!
    To muito emocionada.. muito mesmo..
    Hoje quando voce ligo pra minha mae a primeira coisa que eu pensei foi no poema que voce tinha me prometido. Mas voce nao pediu pra falar comigo então, eu tirei isso da cabeça.
    Quando a mamãe desligo o telefone, chorando ppor sinal, eu pensei que voce realmente tinha feito um poema, mas que nao era pra mim!
    MAS ERA!!! E eu to muito feliz de você ter lembrado de fazer e de lembrar os detalhes daquela manhã.

    Te amo muito, pai.
    Voce vai ta sempre comigo, não importa a distância!

    Beijos,
    Sua filha

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