Ali mesmo da entrada do bar, numa simples cruzada de olhar, o visgo aconteceu. Sorrisos surpresos se cumprimentaram. Dois passos à frente e sua progressão era interrompida pela incontrolável vontade de se voltar e olhar. Novamente o sorriso e a involuntária mudança de direção, de planos para a noite e sabe-se mais do que. Quatro passos à frente e dois beijinhos no rosto enquanto ela dançava. Dois passos para trás com a atenção em seus olhos. Suas bocas se entreabrem em sincronismo. Dois passos para frente e o beijo. Menos de dois minutos, ou menos de um, não importa. O tempo se distorce frente a imensas forças gravitacionais. Aquilo não era um encontro casual e paixão a primeira vista seria descrição discreta demais para sobreviver àquela intensidade. Prefiro metáforas astronômicas para tentar dimensionar o que acontecia ali. Mas não seria um buraco negro sugando toda uma galáxia ou um sistema solar duplo entrando em colapso com a inevitável conjunção de suas estrelas. O fenômeno não tinha viés cataclísmico, apontava para criação e não para destruição. Talvez devesse descartar o infinitamente grande e buscar uma explicação no indescritivelmente pequeno. Era coisa teorizada mas não comprovada em experimento. Fenômeno que se sabe da existência mas nunca observado. Talvez, se o ocorrido ali pudesse ser assistido, mensurado e avaliado pela ciência, o bilionário e gigantesco acelerador de partículas ficasse obsoleto. Simplesmente deixaram de existir para nossa realidade. Vibravam numa freqüência imperceptível para os demais observadores. Como se daquela colisão inevitável derivasse a partícula de Deus e que como no primeiro segundo do gênesis tudo houvesse sido criado. Tudo. Massa, luz, energia e tempo. Nascia um novo universo, e uma bifurcação na linha das suas vidas aconteceu. Para nós, que continuamos aqui, observamos a história daquele casal que vive sua grande paixão dentro do que nos é compreensível. Mas lá, naquele momento, um novo casal, derivado do que conhecemos, furou o espaço e o tempo passando a habitar uma realidade alheia aos nossos sentidos. Vivem seu amor no inimaginável de outra dimensão.
Eduardo Bittencourt
quinta-feira, 14 de maio de 2009
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Excelente adequação do tema à vanguarda da física. De analogias assim nascem novas filosofias. Parabéns
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