“Ainda é cedo amor
Mal começastes a entender a vida”...
Ao se ver procurando a letra da música que ela cantava com a ternura de uma canção de ninar, surpreso se viu apaixonado. Já fazia tanto tempo que lhe pareceu como uma nova primeira vez. Após a separação, oito anos e três relações haviam passado. Simplesmente passado. Seus namoros eram guardados como amizades e gratas lembranças. Era o máximo permitido. De fato sentia, sem admitir, ter perdido o direito ao amor. Os muros de proteção eram altos e frios. No entanto, alheia as suas convicções, uma apelação contra sua sentença de morte tramitava. Havia deixado de lado quase tudo, porém o prazer em se encantar com o novo vivia. Adorava conhecer gente. E ocupado em proteger-se do amor, descuidou-se subestimando sua habilidade em retirar armaduras e despir as pessoas até a alma.
Em meio à tempestade de trabalho que assolava a empresa, ela era o seu farol com um carisma encantador. O real motivo dele permanecer ali. Hora ela explodia em autenticidade e alegria, hora implodia numa fragilidade repleta de carências ancestrais. Ele passou a observá-la querendo entender aquele jeito adorável e controverso. Mas enquanto a descobria não percebia que era ele quem se despia. E bem devagar, numa demolição que mais parecia uma construção às avessas, a cada pedra retirada, o muro ficava menor. Renasciam os sentimentos carregados de bem querer. Carinho, cuidados, preocupação. Afagos em seus cabelos e encontros entre mãos delatavam seu afeto e desejo. No entanto aquele amor não pôde acontecer. E talvez não fosse mesmo sua missão acontecer. Mas existiu e isso basta. Cumpriu sua função e devolveu a ele a coragem de amar, de se apaixonar. Ela havia restaurado sua alma e ressuscitado seu direito a felicidade.
Talvez ela não perceba a importância do seu despretensioso papel e continue negando a capacidade humana de doar sem esperar em troca. Distraída, continuará realizando seus encantamentos e espalhando vida por onde estiver. Isso é compaixão verdadeira. Ele sempre será agradecido e, seu bem querer e amizade, eternos.
Eduardo Bittencourt
domingo, 17 de maio de 2009
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Eduardo,
ResponderExcluiré liindo! o q acabei de ler.
E o q me vem à memória é Paz do Meu Amor,de Luiz Vieira:
"Você é isso, uma beleza imensa
Toda recompensa de um amor sem fim
Você é isso, uma nuvem calma, no céu de minh'alma, é ternura em mim,
Você é isso, estrela matutina, luz que descortina um mundo encantador.
Você é isso, É parto de ternura, lágrima que é pura, paz do meu amor."
beijos e boa semana!!!
Lembra aquele fatídico dia que me pediu para ler e disse: Não! Pois bem hoje resolvi entrar e ler. Te digo achei lindo. Emocionate posso dizer com os olhos cheios de lágrimas.
ResponderExcluirParabéns, vc escreve muito bem.
Bjs,
Viviane
Tenho q admitir vc e quase um poeta
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