sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

A máquina que mata sem remorso e a revolução da violência.

“A vida é assim, uns tem sorte outros não.” “Tem quem nasceu pra mandar e quem nasceu pra ser mandado.” “Não tem jeito, sempre existirá a elite dominante e a classe dos explorados.” “Cada um por si.” “Não importa se eles não tiveram as mesmas oportunidades, se são criminosos têm que pagar na cadeia ou com a vida.” Pérolas como essas servem de combustível à máquina que mata sem remorsos. Mata e condena milhares a uma subvida desgraçada e mesmo assim ninguém que poderia fazer algo fica sem dormir. A não ser quando a violência, produto final desse descaso desumano rompe as blindagens, muros e cercas elétricas e bate à porta de quem se julga, orgulhoso, uma peça produtiva dessa mesma máquina. Discursos utópicos, “caveirões” ou “choques de ordem” não mudarão esse insano inconsciente coletivo ou muito menos farão a violência diminuir.

Chamo de revolução o que chamam de violência. Pessoas abandonadas pelo estado, pelos pais e pela sociedade não são obrigadas a seguir conceitos morais que nunca lhes foram ensinados. O nível de abandono chegou a tal ponto que mesmo a religião, que sempre serviu como anestesia às dores do povo, já não surte efeito. O “ópio do povo” perdeu a vez para o crac e para a cocaína.

A desumana cobiça transformou os explorados em selvagens que só fazem existir e sobreviver. Do jeito que der. Não é pejorativo dizer selvagem, é só a constatação do que é um ser humano sem parâmetros civilizatórios. Ninguém nasce com conceitos morais, esses lhes são ensinados. Acredito em boa e má índole. Está ai nossa classe política, que mesmo tendo família, acesso à boa educação e várias oportunidades preferiu ser inescrupulosa e sanguinária, roubando incansavelmente o dinheiro que deveria ser usado para ensinar os tais parâmetros civilizatórios. Roubam até dinheiro da merenda escolar: “Hahah, é como tirar doce de criancinha”, devem rir-se por dentro. Não vou generalizar, devem existir uns poucos que não fazem parte desse grupo de extermínio.

O assunto não é novidade. Sociólogos, antropólogos, historiadores ou pessoas bem esclarecidas devem estar achando isso tudo uma retórica boba, e um exemplo clássico de que a violência adquire o grau de revolução foi a queda da bastilha, marco da Revolução Francesa. É a mesma historinha: povo abandonado pelo estado se revolta e toma o poder pela força. Sendo assim afirmo que a violência de hoje ganhará status de revolução popular nos livros de história de amanhã. A diferença é que agora a dissimulação é enorme, a corte é mais numerosa e a miséria nem se fala. Então acaba indo para guilhotina quem não deveria. Novamente o inocente paga pelo culpado.

Educação. Palavra mágica. Junto com ela se adquire, além do indispensável conhecimento, a dignidade, a cidadania e os tais conceitos morais. Mas não é qualquer educação. Não essa onde a escola cai na cabeça da criança, o professor recebe salário mínimo e que só serve como estatística ilusória. Devemos exigir escola com qualidade de instalações, bons livros e professores preparados e bem pagos. Escola que efetivamente atinja seus reais propósitos de formação de cidadãos. Há casos raros que comprovam o milagre da educação e mostram que uma boa escola não só muda a vida de uma pessoa, mas também a vida de seus familiares, o convívio social e a comunidade como um todo. Sem “caveirão”, sem balas perdidas e sem violência. Combater a violência é necessário, mas com inteligência e não truculência. E mesmo assim de nada valerá se não forem atacadas suas origens. Serão apenas paliativos para um mal que precisa de cuidados especiais onde só a educação como remédio será eficaz.

Para os que se deram ao trabalho de ler até aqui e continuam achando que isso não passa de palavras ao vento ou de um discurso ultrapassado socialista, esclareço que não tenho ideologia política, não sou de esquerda, centro ou direita. Meu partido é a educação, meu político preferido é aquele que faz pela educação. E por caridade, não espere a violência chegar a sua casa ou família para parar e pensar. Além de ser doloroso, não seria inteligente e nem tão pouco digno.

Educadamente obrigado.

Eduardo Bittencourt
Designer e publicitário

Niterói, 5 de fevereiro de 2009

4 comentários:

  1. Esse texto deveria ser lido em horário nobre e em cadeia nacional.
    Parabéns

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  2. Parabéns seu texto é ótimo!!!

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  3. Apaga esse texto panaca. Tá mexendo com cachorro doido.

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    1. Pelo jeito vc faz parte da máquina insana. Não tenho medo de cachorro doido, até porque eles acabam morrendo com sua própria raiva.

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