sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

E o Zé dando voltas no Caixão.

Hoje o brasileiro preocupa-se mais com a produção e a fantasia para ir a um halooween do que para brincar no carnaval. Não sou ultranacionalista e me sentiria ineficiente se levassem meu discurso para as bandas, quase podres, do anti-colonialismo.

Só agora, na era Obama, resolvi escrever esse texto inspirado em uma festa dos horrores que fui, há 4 anos atrás, logo após os norte-americanos terem reeleito ele, o inominável, aquele que não se pronuncia o nome, ou se preferirem, aquele que não precisaria de nenhuma fantasia para incorporar a besta do apocalipse em qualquer festa de horrores.

Metáforas à parte, é evidente o empobrecimento do nosso carnaval, onde os foliões limitam-se a usar bermuda e camiseta com uma latinha de cerveja na mão como fantasia. Onde estão as colombinas e os pierrôs que mesmo importados do carnaval europeu acabaram aclimatando-se ao calor de nossa festa tropical. Por outro lado, quem não estiver a caráter em uma noite das bruxas, caso não seja barrado na entrada, logo se sentirá tão a vontade quanto um sapo fora do pântano. Muito bem, já que a idéia é se divertir com o humor pra lá de negro de uma festa de terror, deveríamos ao menos fazer uma homenagem ao nosso Zé do Caixão, que soube traduzir para os brasileiros uma cultura do terror nascida na Europa e amplificada para o mundo através de aberrações hollywoodianas. E por que não enriquecer essa mistura com nosso folclore e seus inúmeros personagens sobrenaturais. Seria divertido ver a cara do marido da Mortiça Adams ao flagrar sua mulher pulando com o Saci em algum cantinho do salão ou assistir a um Curupira, com seus pés virados para trás, ironizando o famoso passo do Michael Jackson, esse sim um verdadeiro bicho-papão de criancinhas. Estaríamos, assim, usando nossa criatividade para abrasileirar esta data que, querendo ou não, já faz parte do nosso calendário.

Como disse, não sou ultranacionalista, me definiria como um “planetista” e poderia ser um verdadeiro entusiasta da cultura norte-americana caso eles limitassem seus horrores e atrocidades as suas festas e filmes de faz de conta.
Eduardo Bittencourt

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